Prêt-à-Porter – Conheça seu Significado e sua História

Pierre Cardin inova com a Printemps
Pierre Cardin inova com a Printemps
  Credit Month May 05 2019  

Seja você fã ou não de moda, em algum momento já se deparou com os termos alta costura e prêt-à-porter. É bem provável que esteja familiarizado com os dois, mas não tenha certeza da diferença entre eles.

Se este é o seu caso, segue aqui uma breve história da moda e seu desenvolvimento através dos tempos para que você possa entender de uma vez por todas a diferença entre ambos.

O Pós-Guerra para a indústria da Moda

No início do século, a moda era feita sob encomenda. Grandes nomes da alta costura como Coco Chanel, Elsa Schiaparelli e Christian Dior criavam roupas exclusivas para a alta sociedade européia que frequentava suas maisons. Eram chamados de “modistas”.

No Brasil e nas Américas em geral haviam costureiras especializadas em copiar as tendências de moda criadas na França. A informação chegava em revistas por navio, muitas vezes, por causa da longa distância atravessada, os modelos chegavam em atraso e uma vez que eram copiados para a alta sociedade  já estavam fora de moda.

Com a segunda guerra mundial, muitos estilistas europeus tiveram que abandonar suas maisons e cruzaram o Atlântico em busca de refúgio nos solos americanos. Os Estados Unidos já exportavam cinema para o mundo e suas grandes estrelas eram conhecidas internacionalmente, consumidoras ávidas da alta costura européia e grandes difusoras do estilo para o mundo.

Quando a segunda guerra mundial chegou ao fim, a Europa estava destruída, mas os Estados Unidos, apesar de terem participado ativamente enviando tropas aos aliados, permaneceram intactos. A permanência dos estilistas europeus em solo americano trouxe um novo fôlego de inspiração para as modistas que acabaram ousando e começaram a criar uma moda independente da que acontecia no mercado europeu.

As grandes cadeias de lojas americanas passaram a fornecer moda em grande quantidade num estilo chamado Ready-to-go.

Uma vez que a Europa se recuperava dos vestígios da guerra e muitas cidades eram reerguidas dos escombros a escassez de dinheiro e o momento vivido não eram apropriados para extravagâncias e consequentemente o movimento nas maisons enfraqueceu.

A Europa entrou em uma crise financeira que poderia ter tido consequências desastrosas se não fosse pela ajuda monetária dos Estados Unidos. O Plano Marshall, que levava o nome do secretário de estado americano, entrou em vigor como uma estratégia de recuperação das finanças do continente europeu, os Estados Unidos investiram algo em torno de U$13 bilhões em diversos países. A iniciativa deu frutos e em quatro anos os países que receberam investimentos haviam superado a crise.

As novas medidas econômicas, no entanto, haviam mudado a forma do povo se relacionar com o dinheiro mesmo nas altas castas  a idéia de um guarda-roupa por encomenda com peças exclusivas já não parecia tão convidativa.

A grande sacada de Pierre Cardin

O estilista italiano naturalizado francês Pierre Cardin, cujo nome de batismo era Pietro Cardin, começou sua carreira como alfaiate aos 14 anos de idade. Alguns anos depois mudou-se para Paris onde estudou arquitetura e trabalhou no atelier de Madame Paquin ao lado da colega e também estilista italiana Elsa Schiaparelli. Em 1947 foi encarregado de chefiar a alfaiataria de Christian Dior, onde permaneceu por 3 anos saindo apenas para lançar seu próprio atelier de alta costura.

Sempre foi um visionário. Pioneiro na moda unissex, designer de vanguarda e homem de negócios. Foi o primeiro estilista na história a encarar o japão como mercado proeminente de moda.

Por causa de sua visão futurista ficou conhecido com os companheiros Paco Rabanne e André Courregès como a “Tríplice Aliança futurista da moda”.

Pierre Cardin e seus modelos futuristas
Pierre Cardin e seus modelos futuristas

O nascimento do Prêt-à-Porter

Em 1959 o estilista, por causa da crise do pós-guerra, teve a idéia de criar uma coleção para a Printemps, uma loja de departamentos parisiense. A clientela poderia entrar, escolher uma peça em seu tamanho e levar para casa.

Pierre Cardin inova com a Printemps
Pierre Cardin inova com a Printemps

“Eu fui muito sortudo, fiz parte do período pós-guerra onde tudo precisava ser refeito”
Pierre Cardin.

Esta prática foi batizada pelo também estilista J.C. Wels como Prêt-à-Porter, que significa “Pronto a vestir”, baseado nas grandes cadeias de roupas americanas.

A atitude de Pierre Cardin enfureceu a Chambre Syndicale, o sindicato de criadores de moda e ele acabou sendo expulso. A frase solene do estilista sobre a época traduz um pouco do conflito vivido no momento:

Cardin ainda afirma: “Eles disseram que o prêt-à-porter destruiria o meu nome, ao invés disso salvou.” Dez anos mais tarde ele não apenas havia sido restituído a Chambre Syndicale como se tornaria o presidente da mesma. 

Toda ruptura de tradição gera conflito. Pierre Cardin, além de criador era um homem de negócios. Todo bom empreendedor vê na crise uma oportunidade de crescimento. Cardin viu uma necessidade do setor e resolveu oferecer uma solução criativa. A ideia pode ter causado polêmica na época, mas salvou o seu negócio e o de tantos outros que acabaram tendo que se adaptar ao novo modelo de mercado.

A resposta positiva dos consumidores levou a um grande “boom” no mundo fashion e redefiniu de uma vez por todas a indústria da moda.

O prêt-à-porter democratizou a moda.

A preocupação das grandes maisons passou a ser desenvolver coleções em grande escala, caminhando de mãos dadas com a indústria têxtil e lojas de departamento.

Yves St. Laurent e a Popularização do Prêt-à-Porter

Apesar de ter  ficado conhecido como o “criador do Prêt-à-Porter”, não foi Pierre Cardin o grande promotor do estilo, e sim Yves St. Laurent, um dos nomes mais significativos da história da alta costura.

Yves Henri Donat Mathieu Saint Laurent foi um designer de moda de origem argelina, filho do presidente de uma companhia de seguros e de uma dona de casa. Por influência da mãe apaixonou-se pelo mundo artístico e principalmente  pela alta costura. Aos 17 anos foi trabalhar com seu mentor Christian Dior que depois do falecimento deixou o controle criativo da marca nas mãos de seu jovem pupilo de apenas 20  anos de idade.

Permaneceu na Maison Dior até 1960 quando foi convocado para servir na guerra da Argélia. Antes de partir, lançou duas coleções. A primeira foi muito aplaudida levando prêmio Neiman Marcus, consolidando seu nome de vez. A segunda coleção não obteve o sucesso esperado na época, anos mais tarde obteve sucesso nas mãos de outros estilistas como look “beatnick chick”, provando que assim como Cardin era também um visionário.

Ao voltar da guerra, havia sido substituído na Maison Dior por Marc Bohan. Decidiu então que era hora de criar a sua própria marca em sociedade com o parceiro Pierre Bergé. O casal decidiu focar na moda prêt-à-porter.

Lutava pela moda, por uma geração mais consciência e livre
Lutava pela moda, por uma geração mais consciência e livre

Tradicionalmente as maisons de alta-costura se concentravam do lado direito do Rio Sena, Saint Laurent resolveu inaugurar sua boutique do lado esquerdo na rua Tournon, ato encarado como rebeldia pelos os colegas de profissão, mas que repercutiu posteriormente como uma grande sacada de marketing, destacando-o dos demais.

Na alta costura, as roupas são criadas exclusivamente para clientes específicos, as peças caem como luva e raramente é preciso fazer ajuste. No Prêt-à-Porter, o desafio é criar roupas que possam ser modificadas para se adaptar ao corpo do cliente. Yves St. Laurent conseguia  fazer a transição de um estilo ao outro com maestria.

Suas criações buscavam inspiração no trabalho de artistas como Velázquez, Delacroix, Pablo Picasso e Andy Warhol. Em 1965 criou uma coleção inspirada no artista plástico Piet Mondrian imortalizando um vestido de tubinho com linhas verticais e horizontais típicas do trabalho de neoplasticismo do artista.

vestido de tubinho com linhas verticais e horizontais
vestido de tubinho com linhas verticais e horizontais

 

“Participei da transformação da minha época. Eu fiz isso com roupas, o que certamente é menos importante do que música, arquitetura, pintura … mas de qualquer forma, eu fiz. ” Yves Saint Laurent

A década de 20 foi marcada por Channel e seu minimalismo, que desenhavam a mulher de forma elegante e sóbria. Christian Dior, mentor de Yves St. Laurent investiu no look diva glamourosa com sua cintura bem marcada e saias armadas. Sobre os dois St. Laurent declarou:

“Eu tentei mostrar que a moda é uma arte. Para isso, segui o conselho de meu mestre Christian Dior e a lição imperecível de mademoiselle Chanel. Eu criei para minha época e tentei prever o que seria o amanhã. ”-Yves Saint Laurent

No legado do estilista consta também a criação do smoking feminino. St. Laurent era um profundo admirador da alma feminina e conseguia transmitir os anseios mais íntimos da mulher moderna da época através de suas roupas.

smoking feminino de St. Laurent
smoking feminino de St. Laurent

O casamento entre Bergè e Laurent terminou em 1976, mas a parceria dos dois permaneceu por mais 30 anos. Sobre Laurent, Bergé declarou:“Chanel libertou as mulheres e Saint Laurent lhes deu o poder”

 A Alta-Costura morreu? 

Diferentemente do que a Chambre Syndicale temia quando Pierre Cardin lançou sua coleção prêt-à-porter pela primeira vez, a alta costura não morreu. Na verdade, o prêt-à-porter veio preencher uma lacuna que havia entre a classe média, sedenta por peças bonitas e de renome, e os grandes estilistas. A alta costura permaneceu bem viva através dos tempos e estilistas famosos continuam atendendo de forma particular e exclusiva alguns clientes vips sempre que requisitados.

“Em prêt-à-porter, precisamos entender que a coleção deve satisfazer mais o grande mercado, então a alta costura tornou-se ainda mais especial.” Riccardo Tisci

O termo Alta Costura, “Haute Couture” em francês, é protegido por lei. Popularmente as pessoas utilizam de forma errada relacionando-o com tudo o que for feito sob medida ou para fins luxuosos. Alguns ateliers brasileiros chegam a usar indevidamente o termo em seus estabelecimentos.

A Chambre Sydicale de la Haute Couture de Paris possui regras bem rígidas para assegurar que um grupo seleto de poucos estilistas possam fazer uso do nome. Vejamos algumas das regras conhecidas:

  • Material de primeiríssima qualidade
  • Trabalho quase 100% feito manualmente
  • A Maison deve ter ao menos 15 pessoas trabalhando em horário integral, com capacitação profissional comprovada
  • O endereço da Maison deve estar em uma das principais avenidas parisienses e o estabelecimento deve ter 5 andares sendo um deles um espaço para realização de desfiles.
  • Possuir uma marca de perfume próprio
  • Possuir uma quantidade fixa mínima de rendimento anual
  • Apresentar coleções 2 vezes ao ano com no mínimo 35 peças

Se o estilista se encaixar nessas condições ele pode participar em 3 tipos diferentes de categorias de membros: permanente, correspondentes e convidados.

Os membros estreiam como convidados e depois podem subir de categoria de acordo com os critérios da Chambre.

Fazem parte da categoria permanente as maisons: Adeline André, Atelier Gustavo Lins, Chanel, Christian Dior, Christophe Josse, Frank Sorbier, Givenchy, Giambattista Valli, Jean-Paul Gaultier, Maurizio Galante, Stephanie Rolland, Martin Margiela e Yves St. Laurent.

Na categoria correspondente encontramos os seguintes nomes: Versace, Armani, Valentino, Elie Saab e Martin Margiela (linha artesanal).

Fechando na categoria convidados: Schiaparelli, Alexandre Vauthier, Alexis Mabille, Iris van Herpen, Julien Fournié, Bouchra Jarrar e Yiqing Yin.

A Alta Costura não tem como finalidade o lucro em si, mas sim garantir a excelência do nome francês na indústria da moda. É como um atestado de arte que assegura que as melhores roupas já criadas foram e serão sempre feitas na França. 

O Prêt-à-Porter no Brasil

Mesmo muito depois Pierre Cardin e Yves St. Laurent terem revolucionado a moda mundial com o prêt-à-porter, a maneira de fazer moda no Brasil não mudou. As “modistas” copiavam os modelos das revistas e vendiam por encomenda para a sua clientela. Foi apenas no início da década de 70 que as coisas começaram a mudar com o trabalho pioneiro de Zuzu Angel.

Nascida em 1921 no interior de Minas gerais, Zuleika de Souza Neto, começou a costurar roupas logo cedo para si mesma e suas primas. Na década de 40, conheceu e casou com o americano Norman Angel Jones, assumindo assim o sobrenome que carregou para vida inteira: Angel. Em 1947, depois de passar um tempo na Bahia e ter tido seus 3 filhos, divorciou-se de Norman e mudou-se para o Rio de Janeiro onde sustentou a família com a costura de vestidos para a sociedade carioca.

"Eu sou a moda no Brasil" Zuzu Angel
“Eu sou a moda no Brasil” Zuzu Angel

Em 1970, depois de ter trabalhado muito e construído um nome para si mesma, Zuzu resolveu investir no mercado prêt-à-porter desenvolvendo uma coleção que tinha como influência os tecidos e estampas do Brasil. Suas peças ficaram conhecidas nos Estados Unidos e ela chegou a vestir personalidades como Joan Crawford, Liza Minelli e Kim Novak.

Assinou contrato com grandes lojas dentre elas: Bergdorf Goodman, Lord & Taylor, Saks, Neiman Marcus e Henri Bendel.

No auge de sua carreira internacional, Zuzu teve a infelicidade de ter seu filho Edgard Stuart Angel desaparecido depois de ter sido preso e torturado pelo Centro de Informações da Aeronáutica. Stuart fazia parte do MR-8, um grupo socialista que lutava contra a ditadura militar no Brasil. Começou então a luta da estilista para saber o que havia acontecido ao rapaz.

Este período ficou bem marcado em sua produção. Zuzu criou uma coleção que denunciava os abusos de poder do governo militar com estampas de tanques de guerra, pássaros engaiolados, jipes e cores sóbrias. Realizou em 1971 um desfile protesto na embaixada brasileira dos EUA. Sua luta só teve fim com a sua morte em um acidente suspeito de carro no dia 14 de abril de 1976.

Zuzu teve significativa importância na construção do cenário prêt-à-porter brasileiro e abriu as portas para que outros estilistas pudessem enveredar pelos mesmos caminhos tornando o Brasil referência no mercado de moda internacional.

O Prêt-à-Porter Brasileiro na atualidade

Na atualidade temos diversos nomes de renome que não deixam o Brasil para trás no mundo fashion.

Gustavo Lins

 É o único brasileiro a fazer parte da Chambre Syndicale que possui critérios super rigorosos no que se refere a escolha de seus membros. O brasileiro possui uma Maison em Paris e contrato com 12 multimarcas na Bélgica, França, Coréia do Sul, Espanha, Rússia e Japão.

Gustavo Lins
Gustavo Lins

Adriana Barra

O uso de estampas e cores exclusivas e vibrantes são a marca registrada dessa estilista que estudou design e fotografia no exterior antes de montar a marca que leva o seu nome em 2002. Rainha do Boho ou Hippie chic seu estilo é inconfundível e suas peças cheias de vitalidade.

Adriana Barra
Adriana Barra

Samuel Cirnansck

Começou aos 14 anos na área de figurinos para o teatro e no ano de 1999 criou sua própria marca chegando a produzir também vestidos de noiva. É figura marcante na São Paulo Fashion Week.

Samuel Cirnansck
Samuel Cirnansck

Ronaldo Fraga

O Design Museum de Londres elegeu o estilista como um dos mais inovadores do mundo. Ronaldo se considera um contador de histórias, e diz que seu interesse por moda se deu pela simples razão de saber desenhar e contar uma boa estória. Em 2002 o estilista homenageou Zuzu Angel com uma coleção inspirada em sua obra.

Ronaldo Fraga
Ronaldo Fraga

 

Pedro Lourenço

Filho dos estilistas Reinaldo lourenço e Glória Coelho, o estilista lançou a sua primeira coleção aos 14 anos e apresentou uma belíssima coleção aos 19 anos no Paris Fashion Week. Afastado das passarelas brasileiras, este gênio criativo recebeu convite de Donatello Versace para ser consultor da marca Versace, mas recusou e hoje está à frente da marca de lingerie La Perla. Pedro também assinou o designer de uma linha de tênis da Nike e é com certeza o futuro da moda das terras tupiniquins.

Pedro Lourenço
Pedro Lourenço

Alexandre Herchcovitch

Alexandre é o típico exemplo de estilista que aprendeu o básico de sua profissão com a mãe. Em 1994 inaugurou sua própria marca, fez desfiles na badalada Fashion Week de New York, em Londres e Paris. Em 2016 anunciou a saída da sua grife que desde 2008 havia sido vendida.

Alexandre Herchcovitch
Alexandre Herchcovitch

Glória Coelho

A estilista é veterana das passarelas de moda com mais de 40 anos de profissão. Sua marca, que lançada em 1971 se chamava G e posteriormente foi renomeada com seu nome Glória Coelho, segue forte como uma das mais importantes e cultuadas lojas de prêt-à-porter do Brasil. Premiadíssima, segundo seu site oficial a estilista possui os seguintes awards: Phytoervas Fashion Awards”, Melhor Estilista 1997, Prêmio Champion of Fashion Targets Breast Cancer CFDA Foundation IBCC 2003, Prêmio Moda Brasil de Melhor Estilista do ano 2009/2010, Prêmio da revista Época São Paulo de Melhor Estilista do ano de 2010/2011, Prêmio Mulher Destaque 2013 e o Prêmio Shell de Teatro – Melhor Figurino 2014, 27ª edição.”

Glória Coelho
Glória Coelho

Francisco Costa

O brasileiro possui uma história de sucesso. Trabalhou por vários anos com Oscar de la Renta, ajudou Tom Ford na GUCCI e em 2003 assumiu a direção criativa da Calvin Klein onde permaneceu até 2016. Levou a marca a um novo patamar e hoje é um dos estilistas mais premiados do mundo.

Grandes Nomes do Prêt-à-Porter Mundial

Agora uma relação dos prinicpais nomes do Prêt-à-Porter internacional.

Versace

A marca lançada pelo italiano Gianni Versace em 1978 é uma das Maisons mais importantes do mundo. O estilista possuía um estilo extremamente luxuoso e caro. Vestia celebridades como a Princesa Diana e Madonna. Foi assassinado em 1997 por um serial killer com 2 tiros na cabeça em frente à sua casa em Miami, desde então a Maison Versace está sob a direção artística de sua irmã Donatella Versace.

Peças únicas e de requinte inigualável
Peças únicas e de requinte inigualável

Dolce & Gabbana

A grife foi criada pelos estilistas italianos Domenico Dolce e Stefano Gabbana em 1985 e é queridinha das celebridades em ascensão. Possui algumas lojas no Brasil.

A marca é onipotente, e única
A marca é onipotente, e única

Yohji Yamamoto

Yamamoto é a prova de que a visão de Cardin sobre o Japão ser um mercado de moda proeminente lá na década de 40 estava certa. Estilista japonês considerado mestre da alfaiataria fez seu debut em 1981 na França. Aprendeu a costurar no atelier da mãe, mas não pretendia seguir carreira. Fez faculdade de direito e por acaso, depois de formado voltou a ajudar nos negócios da família e nunca mais parou. Suas roupas são absolutamente lindas com um desenho arrojado e único.

Yohji Yamamoto
Yohji Yamamoto

Carolina Herrera

Carolina Herrera é uma estilista venezuelana de nascimento, radicada nos EUA tendo a sede de suas lojas em Nova Iorque. Tornou-se famosa por vestir Jacqueline Kennedy Onassis na última década de sua vida. Foi considerada a mulher mais bem vestida do mundo. Possui, além de uma maison de roupas, uma grife de perfumes.

Carolina Herrera
Desfile de Carolina Herrera

 

Valentino

A Maison Valentino é uma das casas de moda mais proeminentes do mundo. Seu criador, Valentino Garavani, é um renomado estilista italiano. Uma de suas principais características é a valorização da feminilidade em cores e formas. Em 2008, Valentino anunciou que encerraria suas atividades como estilista passando a batuta criativa de sua marca para Pierpaolo Piccioli.

Scarpin Valentino é peça desejo de toda mulher.

Vivienne Westwood

Vivienne Westwood é uma estilista inglesa conhecida pelo estilo irreverente e provocativo. Foi casada com o produtor dos Sex Pistols e por muito tempo criou os figurinos da banda atraindo para si mesma o título de “estilista-punk”. Sua carreira sólida sofreu alterações e ganhou maturidade ao longo dos anos, mas a identidade irreverente da estilista continua presente em seus desfiles e coleções. Aos 64 anos ganhou da Rainha Elizabeth II o título de Lady.

Karl Lagerfeld

Estilista alemão Karl Lagerfeld, foi o responsável pelas Maison Chanel e Fendi. Iniciou a carreira trabalhando com Pierre Balmain e hoje em dia aos 84 anos continua sendo um dos ícones da cultura pop com seu cabelo branco sempre arrumados e óculos escuros. Espirituoso e com  uma língua afiada não se preocupa em esconder o que pensa e recentemente fez uma declaração nada ortodoxa sobre os escândalos de abuso sexual que acontecem nos EUA. “Se não querem que vos baixem as calças não sejam modelos!” 

Giorgio Armani

Armani largou uma carreira de medicina para se aventurar pelo mundo da moda e acabou se saindo muito bem. Com uma fortuna pessoa que ultrapassa os 5 bilhões de dólares, o estilista conseguiu estabelecer seu nome como e sua Maison dentre as mais famosas do mundo confeccionando roupa masculina e feminina. Os ternos Armani são sinônimo de poder e elegância.

Giorgio Armani
Giorgio Armani

 

Jean Paul Gaultier

O estilista francês Jean Paul Gaultier não teve um histórico de carreira tradicional. Sem a educação formal, quando adolescente costumava desenhar trajes e enviar a renomados estilistas de Paris. Foi o visionário Pierre cardin que enxergou o talento do rapaz e resolveu dar-lhe uma oportunidade de trabalho. Suas criações ousadas são sua marca pessoal. Além de estilista das estrelas, também assinou o figurino de alguns filmes como “O Quinto Elemento” de Luc Besson, filmes de Almodóvar e a turnê Blond Ambition de Madonna. O sutiã de cone eternizado por ela é uma criação de Gaultier.

Calvin Klein

Calvin é um estilista americano de origem húngara que fez parte da primeira leva promissora de estilistas americanos na década de 60. Começou costurando vestidos para a boneca da irmã e acabou cursando fashion design no Fashion Institute of Technology. Possui um nome sólido no mercado internacional com linhas de roupas e perfumes.

Calvin Klein
Desfile Calvin Klein

 

Galliano

John Galliano foi o primeiro estilista britânico a assumir a direção criativa de uma casa de moda francesa. Foi diretor criativo da Givenchy e da Christian Dior. Acabou se envolvendo em um incidente em que teria proferido insultos antissemitas em um bar e por isso foi demitido da Dior. Acabou sendo processado, perdeu o controle criativo da Maison que leva o seu nome e foi internado para se recuperar do alcoolismo e vício de drogas. Seu retorno ao mundo da moda foi um pouco complicado, de um lado a amiga e editora da Vogue Magazine Anne Wintour tentava ajudá-lo a encontrar uma Maison interessada em seus trabalhos e do outro lado o diretor da marca Dior se esforçava em dissuadir qualquer Maison da ideia de dar uma nova oportunidade ao estilista. No final foi contratado pela Maison Margiela e sua estréia na marca foi celebrada com um desfile extravagante e muito bem aclamado.

Ralph Lauren 

Ralph Lauren é um estilista americano de origem judia que se tornou conhecido internacionalmente por sua marcas e perfumes. Seu império abrange também uma loja de departamentos com utensílios para casa.

Ralph Lauren com o time olímpico americano
Ralph Lauren com o time olímpico americano

Oscar De la renta

Oascar De La Renta é um estilista radicado nos Estados Unidos, filho de mãe dominicana e pai porto riquenho, Oscar viajou para a Europa ainda jovem com intuito de estudar artes plásticas, acabou sendo seduzido pelo mundo da moda e trabalhou nas Maisons de Balenciaga, Elizabeth Arden e Antonio Castillo. Ganhou fama internacional e reconhecimento quando um de seus vestidos foi usado pela filha do embaixador americano e foi fotografada para a capa da revista Life. Vestiu Várias personalidades da mídia, desde atrizes como Sarah Jessica Parker a primeiras-damas como Nancy Reagan e  Hillary Clinton.

A Nova Geração do Prêt-à-Porter

O final dos anos 90 e início do milênio trouxeram novos ventos para o mundo da moda. Um geração de estilistas inspirados nos grandes ícones do passado, mas antenados com  futuro e principalmente encarando a moda com um olhar mais crítico em termos de fazer uso da matéria-prima disponível de modo consciente. 

Joseph Altuzarra 

O Joseph Altazurra é um estilista que nasceu na França em 1983, filho de uma mãe chinesa-americana e pai Basco, pensou em ser bailarino, é bacharel em História da Arte pela universidade Swarthmore na Pennsylvania. Interessou-se por moda e mudou-se para Nova Iorque onde começou a trabalhar como Marc Jacobs e Nicholas Caito. Mais tarde tornou-se assistente de Ricardo Tisci, diretor criativo da Givenchy mudando-se para a França. Em 2008 lançou a marca que carrega o seu nome e desde lá vem sendo apontado como um grande estilista tendo ganho vários prêmios na categoria. 

Stella McCartney 

Filha do ex-Beatle Paul McCartney e da fotógrafa Linda McCartney, Stella McCartney possui uma carreira sólida no mundo do design de moda. Antes de criar sua grife própria a estilista trabalhou Lacroix, Gucci e substituiu Lagerfeld na sua saída da Chloé. Stella é uma vegana militante e todas as suas roupas possuem essa marca forte de não utilizar material de origem animal nem geneticamente alterada. A militância de Stella também abrange causas sociais femininas. Por ter perdido a mãe para o câncer de mama, a estilista é uma grande advogada da causa. 

Marc Jacobs

Marc Jacobs é um estilista americano que conquistou o mundo por causa do seu estilo independente e criativo. Não segue tendências de moda. Aos 24 anos foi premiado CFDA de novos talentos. Nos anos 80 ficou famoso por lançar uma coleção inspirada no estilo grunge da época. Foi diretor criativo da Louis Vuitton por 16 anos. Criou sua própria linha que leva o seu nome e depois de um tempo afastado, comunicou esta semana que está de volta promovendo grandes mudanças na empresa. 

Look de Marc Jacobs
Look de Marc Jacobs

Tom Ford

Além de estilista, Ford é também, diretor e produtor de cinema prestigiado. É conhecido por ter revitalizado a marca Gucci, alavancando suas vendas. Em 2008 lançou a grife que leva o seu nome. 

Virgil Abloh

Estilista americano, diretor criativo da Louis Vuitton e da sua grife OFF-White que é queridinha das novas celebridades americanas. Virgil possui um traço futurista que lembra muito Pierre Cardin, não em estilo, mas em visão do que a moda está preste a se tornar. Abandonou uma carreira de engenheiro civil para se dedicar ao mundo da moda. 

Fast Fashion: a alternativa ready-to-go que causa polêmica

 Como vimos anteriormente o prêt-à-porter surgiu como uma alternativa à crise pós segunda guerra mundial e continuou através dos anos porque construiu uma ponte entre estilistas e classe média, que agora podia adquirir vestuário de renome e qualidade de maneira mais acessível.

Com o advento da internet e mídias sociais, grandes marcas começaram a chegar nas casas e gadgets de uma classe social mais baixa, que também se interessa por moda e estilo. As Grandes redes de departamentos viram alí uma oportunidade de negócio imperdível e começaram a contratar estilistas para darem nome às suas mini coleções. O resultado disso foi um aumento considerável nas vendas e a prestigiação das lojas.

O mercado cresceu, mudou e expandiu. Hoje o mercado Fast Fashion não se limita a lojas de departamentos, mas existem muitas boutiques caras de renome especializadas apenas neste mercado.

Qual é então o problema do modelo Fast Fashion?

Para que os preços possam ficar cada vez mais baixos e render lucros para os donos deste modelo de negócio os cortes são feitos na qualidade da matéria-prima e mão de obra terceirizada, por vezes não especializada.

Outra característica do crescimento deste mercado que vem assustando economistas é que a antiga classe média parece ter desaparecido, as pessoas estão cada mais pobres e espantosamente mais consumistas. Elas continuam caindo no marketing do parcelamento no cartão de crédito, descontos  e “comece a pagar no ano que vem” e cada vez mais vão se afundando em dívidas. A única coisa que importa é aparecer bem vestido nas fotos do instagram, mesmo que o nome fique sujo e não tenham o que comer ou onde morar.

Terceirização da mão de obra

Cada vez mais as empresas de Fast Fashion procuram mão de obra em países com grande índice de pobreza como Índia, Camboja e China. Os trabalhadores possuem uma jornada exaustiva, remuneração pequena e correm grandes riscos de vida por causa das situações precárias das fábricas. Muitos desses operários são crianças com idade escolar.

Impacto ao meio ambiente

Enquanto a alta costura trabalha com duas coleções anuais, a Fast Fashion produz uma coleção por semana, 52 coleções ao ano. Essa indústria se sustenta com as novidades semanais que chegam às suas vitrines e sites. O consumismo desenfreado alimenta este modelo, o preço das roupas na vitrine (extremamente baixos por causa da mão de obra quase escrava) aumenta o potencial das vendas.

Uma camisa Versace estampada varia de R$ 8.000 a R$ 15.000 reais, um modelo similar em uma loja Fast Fashion pode sair por R$150,00. Esta acessibilidade promove o desperdício, que promove o entulho e a poluição do solo. Toneladas de roupas são descartadas todos os anos e ao contrário do que se pensa apenas 5% delas são destinadas à doação. O acúmulo de tecido, tinta, e fibras é um problema ainda maior que o lixo degradável, pois uma camiseta jogada fora pode levar até 100 anos para se decompor.

A procura pelo algodão, que é matéria prima principal para a confecção de roupas, aumentou exponencialmente nos últimos anos. Para poder entregar a quantidade de matéria prima para a indústria Fast fashion, os agricultores acabaram trocando suas plantações por sementes geneticamente modificadas o que vem aumentando ainda mais os índices de câncer e tumores nas pessoas que moram próximas a essas plantações ou que precisam lidar com a matéria prima para confeccionar as peças.

Cientistas, ongs e médicos do mundo inteiro vem alertando sobre os perigos do mercado Fast Fashion e demandam modificações nas leis que regulamentam a indústria têxtil e as distribuidoras, mas não obtiveram sucesso até agora.

O que podemos fazer para mudar?

O consumo consciente é a chave para o equilíbrio. Ser chique e ter estilo não é sinônimo de um guarda-roupa cheio de peças que não vai usar. O conceito de estilo sempre foi minimalista: menos é mais.

Compre roupas de qualidade, de procedência conhecida, tenha menos peças, invista em marcas conhecidas por não contribuírem para a degradação do meio ambiente. Pesquise as marcas de roupas Fast Fashion que estão envolvidas em trabalho escravo e corte de uma vez por todas da sua lista. Procure associações de costureiras que fazem peças sob encomenda, comece a seguir ONGs que estimulam o consumo sustentável e a moda ecologicamente correta.

O futuro da moda é uma volta às origens, onde cada vez mais as pequenas confecções e associações de costureiras e rendeiras que fazem um trabalho artesanal e sustentável serão valorizadas.

O documentário americano The True Cost, disponível na Netflix é uma boa dica para quem quer se informar mais sobre a indústria da moda e aprender maneiras de ser um consumidor consciente.

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